sábado, 21 de novembro de 2009

Sábado

Abro a janela. Não há vento. 
Sinto o bafo. 
E a vizinha pendura a roupa no varal da lavanderia. 

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

Leituras

Tem gente que acha que ler é o máximo, e é mesmo. Mas ler não tem aquele peso horrível que algumas pessoas conferem a esse ato. Ler é uma delícia, aumenta algumas habilidades da gente, abre portas na nossa mente, leva, eleva, sei lá, transforma.

Sempre gostei de ler bastante. Ando lendo mais ainda, parte de um projeto de estudo, de aprendizado que enfiei na cabeça. Conto com ajuda, claro, todo mundo que tem juízo conta com ajuda de pessoas na sua busca de novos caminhos. Contudo, é importante achar o nosso.

Atualmente leio "A preparação do ator", do Constantin Stanislavsky. Daqueles que mexem principalmente com a nossa imaginação.

Bom, é isso por hoje =P

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

eu só quero uma casa no campo =P

"onde eu possa plantar meus amigos, meus discos, meus livros e nada mais..."

domingo, 15 de novembro de 2009

Carlos Drummond de Andrade não mexe no meu queijo

Já vi muita gente, e eu inclusive, sorteando palavras, conselhos, dicas naqueles tais livrinhos "minutos de sabedoria", ou algo que o valha. São frases curtas ou até historietas que levam à reflexão.

Esses dias ganhei de um deliciosamente complexo e amado amigo um livro de poemas. O curioso é que é um livro pelo qual eu esperava, estava com muita vontade de reler Drummond. Vi-me, de repente, andando com esse livro todos os dias na bolsa, e sempre que estava de bobeira, pegava um poema para ler, aleatoriamente.

O que há  naquelas páginas senão amor, dor, solidão, ternura, lirismo, verdade, mentira, sonho, descoberta, entendimento, compreensão, o mundo e nós mesmos? E não são os versos também minutos de sabedoria, mas com uma elegância metafórica saborosa?

Ando lendo os poemas como se fossem parte de livrinho de autoajuda; faço-o despretensiosamente, sorteando e bebendo palavras só para refletir sobre elas, só para matar o tempo...

E quando um elevado amigo me aborda pergutando:

 -- Nossa, está lendo poesia de Drummond, compreendendo os modernistas, preparando-se para uma prova, melhorando seu vocabulário, enriquecendo sua cultura?

Tenho uma vontade imensa de responder.

--Sei lá, estou apenas sorteando umas palavras que aquecem o meu coração.

Mas nunca tive coragem de dizer...



sábado, 14 de novembro de 2009

Dá para plantar em solo que foi salgado?


***

Atitudes arrebatadas pedem respostas igualmente arrebatadas.

***

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Quimerópolis tem muitas portas.
E muitos caminhos.

Santa chuva

"Quem é você pra me chamar aqui se nada aconteceu?
Me diz, foi só amor ou medo de ficar sozinho outra vez?

Cadê aquela outra mulher?
Você me parecia tão bem,
A chuva já passou por aqui, eu mesma que cuidei de secar,
Quem foi que te ensinou a rezar?
Que santo vai brigar por você?
Que povo aprova o que você fez?
Devolve aquela minha tv que eu vou de vez,

Não há porque chorar por um amor que já morreu,
Deixa pra lá, eu vou, adeus.
Meu coração já se cansou de falsidade"

Marcelo Camelo
Hurt
Heart
Hard
"Mê de motivo, foi jogo sujo
E agora eu fujo, pra não sofrer
Fui teu amigo, te dei o mundo
Você foi fundo, quis me perder"


Tim Maia
Composição: Michael Sullivan/ Paulo Massadas

...

Moleskine. Formiguinhas na parede.
Gaveta com o que se escreve de verdade.

domingo, 1 de novembro de 2009

Nietzsche explica meu desespero?

Nas prateleiras aos montes os livros de autoajuda, ganha-pão que sustenta muitas editoras atualmente, me fazem pensar. O que está havendo? Tanta gente assim perdida procurando um alento? Já li alguns, curiosidade, diversão, angústia ... Mas apenas concluí que nenhum deles está à altura dos bem armados livros de literatura ou de filosofia ou mesmo de História. São esses os verdadeiros livros de autoajuda, que nos fazem refletir sobre a existência, a realidade e nosso papel dentro desse contexto. Aconteceu assim quando li Memórias Póstumas de Brás Cubas, A Metamorfose, o grande Grande Sertão: Veredas. Saí dessas leituras com o corpo cambaleante, pedindo água, pedindo papel e caneta, pedindo mesmo um penico para não fazer nas calças. Essa é a magia da leitura, o poder transformador do humano.

Bem, mas disse tudo isso para dizer de uma leitura que me tem me provocado alguma transformação, mais especificamente uma página do livro fez com que eu reavaliasse e percebesse todo um comportamento que tenho durante anos e nunca conseguira identificar. O que já ouvi ser chamado de excesso de preocupação com a opinião alheia e de autossabotagem, enfim parece ter uma cara mais definida, graças a uma leitura...

Para explicar vou transcrever um trecho do livro Quando Nietzsche chorou, de Irvin D. Yalom:
"Houve uma época em nossas vidas em que estávamos tão próximos que nada parecia obstruir nossa amizade e fraternidade e apenas uma pequena ponte nos separava. Quando você ia subir na ponte, eu lhe perguntei: "Você quer atravessar a ponte até mim?" Imediatamente, você deixou de querê-lo e quando repeti a pergunta, você ficou silente. Desde então, montanhas, rios torrenciais e o que quer que separe e aliene interpuseram-se entre nós e, mesmo que quiséssemos nos reunir, não conseguiríamos. Agora, ao pensar no pontilhão, você perde as palavras, e soluça e se maravilha."

A esse trecho seguiu-se o argumento de Freud para o comportamento arredio de Nietzsche a qualquer oferecimento de ajuda de Dr. Breur:

“(...) É uma historieta curiosa. Vamos analisá-la. Uma pessoa está prestes a atravessar a ponte, ou seja, a se aproximar da outra, quando a segunda pessoa a convida a fazer exatamente o que planejara. Com isso a primeira pessoa não consegue mais dar o passo, porque agora parece estar se submetendo à outra – o poder aparentemente prejudicando a proximidade.”

Bingo! De repente esses parágrafos me fizeram entender uma forma muito acentuada que tenho de me relacionar com o poder. Se alguém me diz para fazer algo que eu já planejava ou desejava fazer é como um golpe que me deixa profundamente irritada. Se eu vou fazer algo que me dê prazer como caminhar, por exemplo, e alguém me recomenda fazer exatamente isso, é como se fosse desferido um golpe contra minha cabeça. Nesse momento, me foi tirado o direito de decidir, de escolher, de tentar, sendo que se eu fizer a caminhada eu não estarei mais atendendo à minha necessidade, mas ao desejo do outro de se sentir melhor por controlar de alguma maneira a minha vida. E essa perda de controle e do poder de escolher me dá desespero.

E, por essa razão, chego a deixar de fazer qualquer coisa que eu queira só pelo fato de outra pessoa tê-lo exigido. Como com Nietzsche, atormenta-me a ideia de fazer com que o caridoso e bem intencionado amigo se fortaleça em cima da minha força. Que seja do outro a ideia que era antes minha. Então a recupero fazendo o contrário do que ele diz, reencontrando-me dentro de mim mesma e me dando o direito de realizar uma escolha, ainda que errada, que seja minha. Rompendo a ponte.


Humana.